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Editorial

Sempre que morre um artista há um caleidoscópio de vitrais raros que emerge num exoplaneta habitável demasiado longe do sistema solar. Nós tentamos morrer várias vezes só para lhes conhecermos as cores. Tentamos morrer várias vezes na exasperada ânsia de nascer de novo. E de nascer melhor.
A Morte do Artista nasceu, pois, com os pés para a a cova, em maio de 2015, numa leitura encenada de excertos dos nossos próprios livros, no palco da sala Raul Solnado, S.I. Guilherme Cossoul, na 1.ª edição do Reverso – Encontro de Autores, Artistas e Editores Independentes. Éramos apenas cinco: Carina Bernardo, Fernanda Cunha, Firmino Bernardo, João Eduardo Ferreira e Manuel Halpern.

Reencontrámo-nos em janeiro de 2016 no lançamento de «Dark Parables» de Paulo Romão Brás, para ler alguns textos do livro.

Ficou-nos a vontade de fazer mais. Algo diferente. De arriscar. De, como diria Beckett, “try again, fail again, fail better”.
Porque não atribuir um prémio literário a Mário de Carvalho, autor maior, que todos admiramos? E porque não editar uma revista, com o mesmo nome e o mesmo mote do colectivo? Autor em destaque: Mário de Carvalho. Periodicidade: incerta.
Convidámos o Paulo Romão Brás a juntar-se ao grupo, a ser o artista do design e da paginação. Já somos seis.
Lançámos o desafio a vários amigos. Primeiro, ao próprio Mário de Carvalho, que aceitou escrever para nós. Depois a outros autores: Alfredo Cameirão, Carlos Bessa, Pedro Castro Henriques, Natália Constâncio e André Ruivo (ilustrador).
Decidimos, então, morrer juntos. Porque, como diz o sábio ao poeta. para nascer de novo é preciso morrer primeiro. E por isso…
Viva! Viva a Morte do Artista!